Sete princípios para a boa prática na educação de ensino superior

São boas práticas consensuais, baseadas em cinquenta anos de pesquisas sobre como os professores ensinam e como os alunos aprendem.

E como alunos e professores se relacionam.

Tendo em conta a existência de seis forças educacionais – atividade, cooperação, diversidade, expectativas, interação e responsabilidade.

Os princípios que apresentaremos a seguir contribuem para o entendimento e a melhoria do processo de ensino aprendizagem.

E também na compreensão de COMO ensinar, mas não O QUE ensinar.

Os sete princípios são aplicáveis a qualquer tipo de curso e a qualquer tipo de aluno.

Mas a forma como diferentes instituições implementam estas boas práticas depende muito dos alunos da instituição e das circunstâncias envolvidas.

Princípio nº 1: A boa prática encoraja o contato entre o aluno e o professor

Professores que encorajam o contato com os estudantes, tanto dentro como fora da sala de aula, obtêm alunos mais motivados, comprometidos intelectualmente e com melhor desenvolvimento pessoal.

Professores considerados pelos estudantes e pelos próprios colegas como especialmente efetivos apresentam uma maior interação com os alunos além da sala de aula.

Interação essa que demonstra preocupação com o progresso do aluno.

É de fácil dialogo e incentivador das discussões de diferentes pontos de vista.

Aberto para ajudar os estudantes em seus problemas.

O relacionamento que professores e alunos desenvolvem fora da sala de aula pode representar o componente de ensino de maior resultado sobre os estudantes.

A interação professor-aluno, dentro e fora da sala de aula, caracteriza um ensino de qualidade e ajuda os estudantes a atingir os seus objetivos de aprendizagem.

Princípio nº 2: A boa prática encoraja a cooperação entre os alunos

Reconhecendo a existência de um componente social no processo de aprendizagem, este é mais favorecido quando resulta de um esforço de equipe.

Trabalhar com outras pessoas normalmente aumenta o envolvimento com a aprendizagem.

E dividir as próprias ideias com os colegas ou responder às ações destes afia o raciocínio e aprofunda o entendimento.

O trabalho cooperativo pode ser caracterizado por cinco elementos:

  • interdependência positiva,
  • interação face a face,
  • responsabilidade pessoal,
  • espírito de colaboração e
  • processos de equipe

Apesar de a efetividade de um método ou técnica de ensino depender diretamente de fatores como objetivos a serem alcançados, aluno, conteúdo e professor, pode-se afirmar, com certeza, que técnicas de ensino que propiciam a interação entre os alunos – aluno ensinando aluno – são superiores às técnicas mais passivas, como uma aula expositiva, quando os objetivos se referem ao alcance de aprendizagens cognitivas de nível mais alto ou de aprendizagens atitudinais.

Princípio nº 3: A boa prática encoraja a aprendizagem ativa

O baixo índice de aprendizagem dos alunos é resultado, principalmente, da postura passiva que eles demonstram em relação ao papel que desempenham nesse processo.

Ouvir professores, memorizar conceitos e despejar respostas.

Isto significa que eles precisam reconhecer o que está sendo ensinado como importante e tornar isto parte deles mesmos.

A aprendizagem ativa é encorajada em classes que usam exercícios estruturados, desafios, trabalhos em grupo, estudos de caso.

Ou métodos de aprendizagem individualizada (como estudo dirigido ou ensino através do computador).

A aprendizagem ativa pode ocorrer também fora da sala de aula.

Pode acontecer tanto em grupo como individualmente.

Atender a este princípio requer algumas ações fundamentais dos professores em sala de aula.

Tais como:

  • Despertar o interesse e a curiosidade do aluno.
  • Usar exemplos, fazendo conexões do conteúdo com a vida real e as experiências pessoais.
  • Estimular o desenvolvimento de estudos e pesquisas individuais e em grupos.
  • Utilizar métodos vivenciais de ensino como jogos, simulações, estudos de caso ou laboratórios.
  • Realizar atividades de extensão extraclasse (visitas, palestras, seminários).

Princípio nº 4: A boa prática fornece feedback imediato

Os alunos precisam checar constantemente sua performance para obter um melhor aproveitamento num determinado curso.

Para isso, buscam por contínuos feedbacks que possam indicar-lhes o que sabem e o que não sabem.

Isso ajuda os alunos a focar melhor os objetivos da aprendizagem.

Em todos os estágios da sua vida acadêmica o estudante precisa de oportunidades para refletir sobre o que já aprendeu e sobre o que ainda precisa aprender.

E principalmente,  sobre como fazer a sua auto-avaliação.

Os momentos de feedback podem ocorrer informalmente durante as aulas.

Ou estar associados a processos formais de avaliação.

O importante é a qualidade do feedback.

E o entendimento de que ele não existe sem medição de resultados.

Os processos de avaliação sem um pronto e contínuo feedback contribuem muito pouco para uma aprendizagem efetiva.

O feedback imediato, informativo e direcionado às principais fontes de erros dos alunos é um dos pontos centrais do processo de aprendizagem.

boa prática

Princípio nº 5: A boa prática enfatiza o tempo da tarefa

Aprender como usar bem o tempo é crítico tanto para os alunos como para os professores.

As decisões tomadas pelos professores sobre a alocação e o gerenciamento do tempo afetam diretamente a aprendizagem dos alunos.

O tempo de aprendizagem acadêmica, aquele consumido com materiais ou atividades tem relação direta com os resultados.

Alunos ou turmas com maior quantidade de tempo de aprendizagem acadêmica tendem a alcançar maior nível de aprendizagem do que os que apresentam menor quantidade.

Disciplinas que utilizam uma maior quantidade de aulas semanais e de horas por aula obtêm melhor desempenho dos alunos.

Ou seja, a definição, pela instituição, do tempo das aulas e do número de aulas semanais pode fazer a diferença na performance final da turma de um determinado curso.

Apesar da importância comprovada da quantidade de tempo alocado para as tarefas relacionadas com o processo de ensino aprendizagem, a questão principal é como este tempo é gasto.

Como os professores utilizam o tempo em sala de aula?

Como interagem as diferentes variáveis de tempo, como gerenciamento, alocação, ritmo e tarefa?

Que parcela do tempo deve ser usada para a aplicação de outros princípios?

Como atividades cooperativas, aprendizagem ativa, articulação de objetivos e fornecimento de pronto feedback.

Este princípio enfatiza a preocupação necessária com aspectos que vão das etapas de planejamento curricular e de definição de horário pelas instituições, até a elaboração dos planos de curso e de aula pelos professores.

Princípio nº 6: A boa prática comunica altas expectativas

A manutenção de altas expectativas é importante para todos os tipos de alunos.

Tanto para os menos preparados e/ou motivados, como para os mais brilhantes e interessados.

As expectativas e esforços (formais e informais) dos professores e administradores permeiam as instituições e criam um clima organizacional que pode ser desafiador para o aluno ou exigir pouco dele.

Quando o professor fixa objetivos desafiadores mas realizáveis para a performance dos alunos, geralmente o atendimento desses objetivos pelos alunos é maior do que quando são fixadas metas pouco desafiantes.

Ao contrário do que os professores pensam, os estudantes dão maior valor para as disciplinas consideradas difíceis.

Pois nesses casos eles são mais exigidos e têm que “trabalhar duro”.

Professores que mantêm altas expectativas em relação ao desempenho acadêmico dos seus alunos, alcançam geralmente efeitos positivos nos estudantes.

Como por exemplo, maior rendimento, maior índice de freqüência às aulas e maior senso de responsabilidade.

 Princípio nº 7: A boa prática respeita os diversos talentos e as diferentes formas de aprendizagem.

O último princípio enfatiza a necessidade de o professor reconhecer os diferentes talentos e estilos de aprendizagem que os alunos trazem consigo para a faculdade.

A combinação entre os métodos instrucionais e os estilos de aprendizagem dos alunos pode resultar em melhoria do processo de ensino aprendizagem.

Os alunos podem expandir seus estilos de aprendizagem.

A aplicação deste princípio leva à necessidade de que o professor entenda o processo de aprendizagem e saiba reconhecer nos alunos os seus diferentes estilos.

Num segundo momento, ele precisará entender as conexões desse processo com outras áreas.

Como motivação e objetivos dos alunos, desenvolvimento intelectual, integração social e acadêmica.

Além da condição socioeconômica, perspectivas disciplinares, e, principalmente, como este sétimo princípio se relaciona com os outros seis.

Ou seja, como fazer com que o contato professor-aluno, a cooperação entre os estudantes, a aprendizagem ativa, o pronto feedback, o tempo da tarefa e as altas expectativas suportem os diferentes talentos e estilos de aprendizagem.

Portanto, o professor deverá buscar variar constantemente as suas técnicas/métodos de ensino visando atender aos diferentes estilos de aprendizagem dos alunos.

E, ainda, ser sensível às diferenças existentes entre os estudantes, respeitando sempre as suas individualidades.

Quem se interessar pelo assunto pode ler mais nos trabalhos de Chickering & Gamson, os criadores destes sete princípios.

By | 2017-11-05T22:51:54+00:00 03.11.17|0 Comentários

Sobre o Autor:

Graduada em Ciências Biológicas (licenciatura) pelo Centro Universitário Claretiano de Batatais, Mestre em Ciências (ênfase Ensino de Biologia) pela Universidade de São Paulo. Trabalha com biologia geral, com ênfase em estratégicas didáticas e linguagem.

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