Quem (ainda) quer ser professor?

Vivenciamos um grave quadro de crise na formação do professor em nosso contexto educacional.

Como consequência de um longo período de desvalorização da carreira docente hoje, de uma maneira geral, poucos querem “ser professor”.

As imagens de nossos primeiros mestres nos acompanham como as primeiras aprendizagens.

Essas lembranças nos deixam marcas indeléveis que, apreendidas no movimento da vida, fazem-nos repeti-las, abominá-las e até mesmo superá-las.

Isso porque estamos num processo de continua aprendizagem que serve de subsidio para práticas novas, sem desconsiderar a imagem que construímos.

A profissão de professor é, na sua essência, relacional.

Há muito conhecimento técnico especializado que lhe é requerido?

Sem dúvida!

Mas há um saber dizer, um saber estar, um saber olhar e compreender.

Professores lidam com diversos outros problemas sociais que interferem diretamente no aprendizado.

Querer, imaginar mas também acalentar, incentivar, fazer sonhar, disciplinar e cuidar.

Há dias e dias a resistir porque se acredita que o crescimento se dará.

Há a vontade de fazer compreender, descobrir e ter prazer em aprender.

Ajudar a descobrir que todos, de algum modo, podemos pensar cientificamente.

Como se aprendem tais coisas?

Como se avaliam tais coisas?

Ao professor têm sido colocadas demandas de naturezas bastante distintas.

O professor do presente não pode ser apenas alguém que aplica conhecimentos produzidos por outras pessoas.

Precisa assumir sua prática pedagógica a partir dos significados que ele próprio lhe atribui.

Isso significa que o professor precisa ser crítico e capaz de fazer reflexões.

Alguém que é capaz de estruturar e orientar a sua prática.

Selecionar determinados conteúdos, dar prioridade a certas atividades.

E aprimorar a competência de aprender a decifrar várias linguagens, percorrer diferentes motivações humanas, ampliar o seu leque de experiências.

Alguém que é, sobretudo, capaz de cultivar as diferenças, criar oportunidades para expandir o conhecimento, ampliar a convivência e a sensibilidade na formação do aluno.

E se configura como modelo de competências e de uma cultura de excelência numa diversidade de imagens e representações.

A escolha profissional: Quem escolhe ser professor?

Essa escolha vem arraigada de paixão, de desejo pelo exercício profissional que mobiliza saberes.

Instiga a curiosidade de conhecer.

Oportuniza a aproximação professor/aluno/educador/educando como fonte de interação.

Tanto em relação ao ensino/aprendizagem quanto à sensibilidade afetiva compartilhada entre eles.

Assinalam a postura propositiva que deve ser encorajada nos profissionais deste século.

Hoje precisamos de práticas pró-ativas, capazes de formar cidadãos agentes de sua própria história, de sua própria mudança.

O cuidado com a postura ética é um elemento básico nas relações entre educador e educando.

É através da necessidade de uma postura ética que se vira gente, com a coerência entre o pensar, o sentir e o fazer.

Educar é um processo de humanização, de forma a proporcionar a direção da prática educativa ao desenvolvimento de potencialidades.

Tanto no educador quanto no educando.

Pois sem aluno não há professor, ou seja, há a necessidade de uma interlocução ampla e constante, aberta à criação de dispositivos internos, que proporcionem a formação humana.

Quem escolhe a docência, apesar de todos os apesares, escolhe continuar aprendendo todos os dias.

Escolhe formar médicos, advogados, padeiros, pintores, formar gente.

Quem quer ser professor, quer, mesmo que minimamente, dar sua contribuição para um mundo melhor.

By | 2017-10-15T09:59:01+00:00 15.10.17|0 Comentários

Sobre o Autor:

Graduada em Ciências Biológicas (licenciatura) pelo Centro Universitário Claretiano de Batatais, Mestre em Ciências (ênfase Ensino de Biologia) pela Universidade de São Paulo. Trabalha com biologia geral, com ênfase em estratégicas didáticas e linguagem.

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