Metodologias ativas: 7 estratégias para usar em sala de aula

As denominadas metodologias ativas colocam o professor como agente facilitador do processo de aprendizagem.

Mas como colocar isso em prática em sala de aula?

Que tipo de estratégia pode ser adotada dentro da metodologia ativa?

Como auxiliar os alunos a puxando construir o conhecimento conforme suas necessidades, interesses, preferências e ritmo?

Apresentamos sete estratégias para você utilizar em sala de aula.

Aprendizagem baseada em problemas (PBL)

É uma estratégia que cria uma necessidade de resolver um problema não completamente estruturado.

Durante o processo, os alunos constroem o conhecimento do conteúdo e desenvolvem habilidades de resolução de problemas.

Bem como as competências de aprendizagem auto-dirigida.

O que prove um ambiente propício para o desenvolvimento meta-cognitivo dos estudantes.

São características da aprendizagem baseada em problemas:

  • Grupos de cinco a oito alunos começam a aprender, abordando simulações do problema não estruturado.

    O conteúdo e as habilidades a serem aprendidas são organizados em torno de problemas.

    E não como uma lista hierárquica de tópicos, havendo uma relação recíproca entre o conhecimento e o problema.

    A construção do conhecimento é estimulada pelo problema e aplicada de volta para o problema.

  • É centrada no aluno, porque faculdade não dita o aprendizado;
  • É auto-dirigida, de modo que os alunos assumem a responsabilidade individual.

    E colaborativa para gerar questões e processos de aprendizagem pela auto-avaliação.

    Avaliação por pares e avaliação de seus próprios materiais de aprendizagem.

    Estudantes coletam informações e dividem seu aprendizado com o grupo.

  • É auto-reflexivo, de tal forma que os alunos monitoram sua compreensão e aprendem a ajustar as estratégias para a aprendizagem;
  • Professores são facilitadores, não disseminadores de conhecimento.

    Portanto, apoiam e modelam os processos de raciocínio.

    Facilitam processos grupais e dinâmicas interpessoais.

    E sondam o conhecimento dos alunos sem inserir conteúdo ou fornecer respostas diretas às perguntas.

  • No final do período de aprendizado (geralmente uma semana), os estudantes resumem e integram seus aprendizados.

O método usado inicialmente na área de saúde na década de 50, ganhou impulso nos anos 80, após publicação de relatório da Associação das Faculdades de Medicina dos USA, que recomendava mudanças no ensino.

Tais como promover e avaliar a aprendizagem independente e a resolução de problemas.

E redução do tempo em sala de aula.

Tornou-se, provavelmente, o método mais conhecido e utilizado das metodologias ativas, sendo foco de atenção de diversos pesquisadores.

Baseia-se em premissas do construtivismo

  • O conhecimento é construído individualmente e co-construído socialmente a partir de interações com o ambiente;
  • o conhecimento não pode ser transmitido;
  • Existem múltiplas perspectivas relacionadas a cada fenômeno;
  • Significado e pensamento são distribuídos entre a cultura e a comunidade em que vivemos e as ferramentas que usamos; e
  • O conhecimento é ancorado e indexado por contextos relevantes.

Aprendizagem baseada em projetos (PBL)

Ganhando espaço especialmente em universidades de ciências aplicadas, devido à necessidade dos estudantes desenvolverem inúmeras habilidades para a vida profissional, proporciona experiências de aprendizagem multifacetadas, em oposição ao método tradicional de ensino.

Os benefícios desta abordagem incluem o enquadramento das ciências e problemas de engenharia nos contextos culturais e sociais.

E da necessidade de adaptação do aluno conforme os problemas tomam rumos imprevisíveis na sala de aula.

Assim como ocorre na vida profissional.

São selecionados problemas mal-estruturados (muitas vezes interdisciplinares) e o professor orienta o processo de aprendizagem, conduzindo um interrogatório completo na conclusão da experiência de aprendizagem.

Nas aulas os alunos e o instrutor discutem os detalhes do conteúdo, envolvendo-se em conversas significativas semelhante ao que seria feito na vida profissional.

Essa conversa temquatro fases distintas: intenção, planejamento, execução e julgamento.

Há três categorias deste método:

  • Projeto construtivo

Visa construir algo novo, introduzindo alguma inovação.

Propõe uma solução nova para um problema ou situação.

Possui a dimensão da inventividade, na função, na forma ou no processo.

  • Projeto investigativo

Desenvolvimento de pesquisa sobre uma questão ou situação, mediante o emprego do método científico.

  • Projeto didático (ou explicativo)

Procura responder questões do tipo: “Como funciona? Para que serve? Como foi construído?”

Busca explicar, ilustrar, revelar os princípios científicos de funcionamento de objetos, mecanismos, sistemas etc.

Peer Instrution (PI)

Consiste em fazer com que os alunos aprendam enquanto debatem entre si, provocados por perguntas conceituais de múltipla escolha (ConcepTests).

Essas perguntas são direcionadas para indicar as dificuldades dos alunos e promover ao estudante uma oportunidade de pensar sobre conceitos desafiadores.

A técnica promove a interação em sala de aula para envolver os alunos e abordar aspectos críticos da disciplina.

Em cursos de ciências, tem demonstrado ser uma maneira de envolver os alunos em sala de aula e em laboratório.

Após uma breve apresentação pelo instrutor, o foco muda do instrutor para o aluno, com o professor apresentando o ConcepTest.

Antes de mostrar aos alunos o que acontece quando determinado experimento é feito, os instrutores podem pedir aos alunos para prever os resultados.

O que é importante para melhorar a compreensão dos conceitos.

Depois de um a dois minutos para pensar, os alunos fornecem uma resposta individual.

A progressão no conteúdo depende do resultado em tempo real da classe.

Dependendo do percentual de acertos, o instrutor pede aos alunos que debatam suas respostas com os demais alunos ao seu redor.

Os alunos discutem em pares ou pequenos grupos e são incentivados a encontrar alguém com uma resposta diferente.

O professor (ou sua equipe) circula pela sala para incentivar discussões produtivas e conduzir o pensamento dos estudantes.

Depois de vários minutos, os alunos respondem novamente ao mesmo ConcepTest.

O professor explica, então, a resposta correta e, dependendo das respostas dos alunos, pode apresentar outro ConcepTest relacionado ou passar para um tópico diferente.

metodologias

Atualmente, dois métodos de quantificar o desempenho dos alunos nos ConcepTests em tempo real são usados.

Flashcards

Cartões que são levantados pelos alunos indicando sua resposta.

Clickers

Mecanismos eletrônicos portáteis de resposta wireless.

Um ponto crítico do PI é escolher os ConcepTests mais adequados para a turma.

Ou seja, o grau de dificuldade e nível de pergunta.

Para isso, o Just-in-time Teaching mostra-se uma ferramenta útil.

Just-In-Time Teaching (JiTT)

O JiTT combina alta velocidade de comunicação via web com a habilidade de ajustar rapidamente o conteúdo para atender necessidades específicas de uma classe em uma determinada aula.

O ponto central é o entrelaçamento entre as atividades feitas pela web e àquelas desenvolvidas em sala de aula.

Ou seja, o feedback ao aluno do material lido.

Consiste na leitura prévia de material que envolva a aula subsequente.

E em atividades que proporcionem um feedback antes da aula, indicando o conhecimento dos alunos e compreensão do material.

O método proporciona ao aluno a oportunidade de verificar sua própria compreensão durante a leitura pré-classe.

Isso auxilia os alunos a reconhecerem quando não entendem um conceito.

Quando são incapazes de responder a uma pergunta.

Ou quando não podem dar explicações completas para os seus pares durante a discussão em sala de aula.

Com este feedback interno, os alunos podem aprender a avaliar melhor a sua própria compreensão durante o processo de aprendizagem.

O que os incentiva a assumir a responsabilidade por sua própria aprendizagem.

Ao passo que as respostas dos alunos permitem ao professor uma melhor preparação para as aulas.

Isso porque ajuda o professor a saber quais são as dificuldades dos alunos, se estão apreensivos e que conceitos os alunos compreendem bem.

 Aprendizagem baseada em times (TBL)

O TBL vai além de cobrir o conteúdo, garantindo aos alunos a oportunidade de praticar o uso de conceitos do curso para resolver problemas.

A aprendizagem baseada em times é projetada para fornecer aos alunos conhecimento tanto conceitual quanto processual.

Os alunos são organizados em grupos permanentes e o conteúdo do curso é organizado em grandes unidades (geralmente cinco a sete).

As atribuições da equipe devem visar o uso de conceitos da disciplina para tomada de decisão.

De forma a promover a aprendizagem por meio da interação do grupo.

Antes de qualquer trabalho em sala de aula, os alunos devem estudar materiais específicos.

É executado um pequeno teste sobre as ideias-chave, a partir das leituras individuais dos alunos.

Em seguida, o teste é refeito em grupo, chegando a um consenso sobre as respostas da equipe.

Os alunos recebem feedback imediato sobre o teste da equipe e, em seguida, têm a oportunidade de escrever apelos baseados em evidências, se eles sentem que podem apresentar argumentos válidos para as respostas julgadas erradas.

A etapa final do processo é uma apresentação (curta e específica), que permite ao professor esclarecer quaisquer equívocos que se tornam aparentes durante o teste de equipe e os apelos.

O restante da unidade de aprendizagem é usado em atividades em sala e tarefas que exigem que os alunos pratiquem, utilizando o conteúdo do curso.

Métodos (ou estudo)  de caso

O método inicialmente adotado pela Harvard Business School a partir de 1908, guarda semelhanças com o método Socrático.

Estimula os alunos a pensarem e descobrirem, de forma ativa e não receptiva por meio de perguntas que levem a reflexões relevantes.

Para tanto, o caso estudado precisa apresentar um dilema, no qual os alunos testam suas habilidades técnicas e julgamento.

Baseia-se na apresentação de dilemas reais, onde decisões devem ser tomadas e consequências enfrentadas.

As soluções devem ser encontradas e propostas pelos alunos.

Que para isso usarão as informações contidas no caso, as teorias apresentadas na disciplina e suas próprias experiências profissionais.

O processo de aprendizado no método caso é composto por três estágios:

  • A preparação individual

Na qual o aluno lê o caso, estudas as fontes teóricas indicadas e prepara-se para a discussão.

  • O debate em pequenos grupos

Quando o aluno compara as suas reflexões e respostas com as dos demais colegas.

Ou seja, grupos de até seis pessoas com diferentes formações, experiências e percepções.

Busca-se, nesse estágio, ampliar a visão e chegar a diferentes conclusões.

  • Discussão em sala de aula

Em que cada aluno, na plenária, é responsável pelas suas ideias e conclusões, que devem ser defendidas.

E conduzidas pelo professor por meio de um processo de questionamento crítico preparado por ele.

Simulações

Simulações são instrumentos para auxiliar e complementar a aula expositiva.

Fornece oportunidades de participação interativa através de demonstrações ou como suporte para ConcepTests.

Uma boa simulação incentiva e orienta o processo de descoberta do aluno.

Proporciona um ambiente divertido e atraente no qual poderá fazer perguntas e ter feedback para descobrir a resposta.

Apesar de não substituírem os experimentos reais, em laboratório ou em sala de aula, vários estudos têm mostrado que sua utilização gera bons resultados.

A simulação pode ser usada para tornar o aprendizado mais interessante e divertido, com o objetivo de melhorar a motivação e a atenção.

E possibilitar que se façam coisas que são impossíveis de serem feitas no mundo real.

Uma simulação pode levar à aprendizagem relativamente rápida e muito eficaz de assuntos difíceis.

Outra vantagem é poder mostrar o que não é visível a olho nu (átomos, moléculas, elétrons, etc.).

Ou fenômenos caros ou perigosos para sala de aula ou laboratórios escolares.

By | 2017-11-06T00:31:47+00:00 06.11.17|0 Comentários

Sobre o Autor:

Graduada em Ciências Biológicas (licenciatura) pelo Centro Universitário Claretiano de Batatais, Mestre em Ciências (ênfase Ensino de Biologia) pela Universidade de São Paulo. Trabalha com biologia geral, com ênfase em estratégicas didáticas e linguagem.

Deixar Um Comentário