A escolha do livro didático é muito importante, visto que é um dos principais apoios de alunos e professores por um longo período letivo.

Nas redes públicas de ensino básico regular temos o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD).

O PNLD compra e distribui obras didáticas aos alunos.

Do ensino fundamental ao médio, na modalidade regular ou Educação de Jovens e Adultos (EJA).

E apresentam sugestões para a escolha dos livros didáticos.

Como por exemplo:

  • Organizem-se em grupos, planejem a leitura e a discussão do Guia (do PNLD) e aproveitem para pesquisar as obras aprovadas nos links disponibilizados pelos editores;
  • Conduzam as discussões com base em um roteiro previamente definido, no qual devem constar aquelas características consideradas imprescindíveis para uma boa obra.
  • Verifiquem se a proposta de trabalho de cada obra está de acordo com o projeto político pedagógico e com o currículo da escola para a área ou para o componente curricular em questão;
  • Verifiquem se a obra apresenta uma progressão adequada (de um volume para o outro e no interior de cada um deles);
  • Procurem avaliar as coleções atualmente em uso e definir quais aspectos foram favoráveis e quais não atenderam às expectativas do grupo.
  • Procurem levar essas experiências em conta na hora da discussão em grupo;
  • Considerem a possibilidade de a escola receber a segunda opção e procurem fazer a escolha dessas obras da mesma forma como vocês procedem para a escolha da coleção em primeira opção;
  • Anotem e guardem, cuidadosamente, os dados das coleções analisadas, mas não escolhidas; essas informações poderão ser úteis para os próximos processos de seleção de obras didáticas;
  • Da mesma forma, anotem os dados das coleções escolhidas, para evitar dúvidas futuras

Mas será que só isso é suficiente para uma boa escolha?

livro didático

Que critérios adotar para escolher um livro didático que atenda mesmo suas necessidades?

Apontamos alguns pontos para serem levados em consideração.

Cientificidade e organização dos conteúdos

Os conhecimentos escolares devem estar de acordo com o desenvolvimento da ciência e com os métodos dessa ciência ensinada.

Isso significa que, é necessário conferir se as definições são precisas e se há uma lógica na organização dos temas.

Se ajuda os alunos a formarem conceitos científicos corretos e se possibilita aos alunos expressarem corretamente as definições e termos utilizados na matéria ensinada.

Além disso, há necessidade de se verificar, também, se as formas de apresentação dos assuntos contemplam os métodos da ciência ensinada.

Por exemplo, um livro de ciências deve estar elaborado em correspondência com o método científico da Física, da Química e da Biologia.

É interessante que o livro tenha uma exposição e uma ordenação dos conhecimentos com uma clara definição de objetivos e sequência lógica conforme as séries a que destina.

Acessibilidade ao aluno

Todo livro didático tem por tarefa transformar a ciência em matéria de ensino.

É o contraponto da cientificidade.

Ser acessível não quer dizer facilitado.

Significa que deve ser adequado ao nível de desenvolvimento mental dos alunos, à sua idade, ao seu interesse.

Acessibilidade quer dizer: relação entre as exigências de conhecimento posta pela escola e pelo professor e a atual capacidade de rendimento escolar dos alunos.

Ao organizar os conteúdos, você sempre considera o potencial que o aluno pode atingir.

Desse ponto de vista, um bom livro é aquele está um pouco acima do nível dos alunos.

É um livro que os alunos são desafiados a desenvolver suas capacidades.

Acessibilidade diz respeito, também, à linguagem utilizada no texto.

A linguagem deve estar adequada ao nível de compreensão e assimilação dos alunos aos quais se destina.

Contextualização

Um bom livro didático deve atender ao princípio da união entre o conhecimento e a prática.

Em qualquer matéria, é importante que os conhecimentos tragam uma relação com a experiência de vida dos alunos.

E também com os problemas e desafios da realidade não só local como também global.

Os conteúdos precisam ajudar os alunos a colocarem cientificamente as questões da vida prática.

Dar respostas científicas aos problemas do cotidiano, aplicando a teoria e aprendendo a observar a realidade.

Em resumo, os conceitos, o uso dos princípios básicos da matéria e o domínio dos métodos para aplicá-los, precisam estar articulados com as ações práticas dos alunos, de modo que estas ajudem à assimilação ativa dos conteúdos.

Criticidade

Este é um dos critérios mais importantes.

Todo livro, assim como todo conhecimento, carrega ideias, ideologias e filosofias.

Assim, a criticidade se refere a examinar que ideologias o livro traz e a que grupo social interessa.

A forma de exposição dos conteúdos tanto pode ajudar os alunos a analisarem o fato ou objeto de estudo, de diferentes ângulos, estabelecendo todas as relações possíveis de um objeto com outros, quanto pode dar uma visão falsa da realidade.

Dificilmente o livro trará a crítica pronta.

Livros que denunciem as injustiças, que mostrem a realidade social nem sempre é possível e nem mesmo desejável.

É preciso estar atento se o livro traz afirmações preconceituosas, discriminadoras, em relação a raça, sexo, religião, profissão etc.

A melhor condição para realizar um trabalho crítico com o livro didático é seu caráter científico.

O resto é com você, professor.

O livro pode trazer conteúdo que cheguem perto dos significados sociais desses conteúdos, das suas implicações para a vida humana, mas a reflexão crítica desse conteúdo, acontece na situação concreta daquela escola, daquela classe, daqueles alunos.

A saída, portanto, é um bom domínio de conteúdo, um bom domínio de métodos e de procedimentos didáticos para dialogar com os alunos.

E sua capacidade de fazer uma leitura crítica dos textos didáticos a fim de poder ajudar os alunos a fazerem o mesmo.

Capacidade de mobilizar as capacidades e habilidades intelectuais dos alunos

O livro didático precisa trazer os elementos conceituais e metodológicos para ajudar os alunos a pensarem autonomamente.

Ou seja, possibilitar que os alunos organizem uma visão de mundo e apliquem criativamente seus conhecimentos na prática.

Para isso, convém verificar a linguagem do texto, a argumentação lógica, os desafios cognitivos propostos nos exercícios, nas perguntas.

Em relação a este critério, as perguntas a fazer sobre o livro didático são: este livro está escrito de um modo que aguça o pensamento do aluno?

Ajuda o aluno a aprender independentemente, a aprender criticamente?

Os exercícios colocam problemas, desafios cognitivos aos alunos?

O texto provoca dúvidas, curiosidade?

Estimula e orienta o estudo independente?

Atualidade

Um livro didático que cumpre o requisito de cientificidade precisa ser, também, um livro atual.

Que incorpora os resultados mais recentes das pesquisas.

Mas, além de estar atualizado com as descobertas da ciência, é preciso estar em dia com temas mais amplos da sociedade.

Como temas políticos, sociais, econômicos e ecológicos.

Temas como ecologia, abordagem da diversidade cultural, regional e global e questões éticas precisam estar presentes independente da disciplina do livro.

Esses são temas que fazem parte da formação cidadã do aluno.

Outras recomendações

  • Conter propostas de atividades para o estudo independente dos alunos.
  • As propostas incluem: exercícios de vários tipos, estudo dirigido individual, pesquisas, testes, questões de dissertação.

    Atividades de estudo que valorizem o trabalho pessoal, o desenvolvimento de habilidades cognitivas, a compreensão do assunto, a discussão, o pensamento autônomo.

    Em resumo, o objetivo das atividades de estudo independente deve ser o enriquecimento de processos mentais e a estruturação interna do conhecimento.

  • Trazer ilustrações, gráficos, fotografias, etc.
  • O que é importante é que as ilustrações, os gráficos, os diagramas, além de aperfeiçoar a comunicação com o leitor, estejam associados ao conteúdo e ao desenvolvimento de estratégias cognitivas, de habilidades de pensamento.

  • Ter correspondência com as convicções e propostas do professor.
  • Não aceitar, sem mais nem menos, a persuasão das editoras.

    E se pautar principalmente nos critérios científicos, metodológicos, técnicos.

  • Interdisciplinaridade.

É necessário um diálogo entre as matérias para uma melhor compreensão de temas ou problemas, de modo a se ter uma visão globalizada sobre o assunto.

É juntar vários ramos de conhecimento ou noções de várias disciplinas para compreender melhor um assunto ou ver globalmente um problema da realidade.

Os módulos paradidáticos podem ter um papel importante porque oferecem livros informativos e textos literários que ampliam a compreensão de tópicos de estudo e possibilitam tratar os conteúdos sob diferentes ângulos.

Para quem quiser ler mais sobre o assunto recomendo o livro Didática velhos e novos temas, José Carlos Libâneo.