Fim da progressão continuada?

Começou a tramitar no Senado o Projeto de Lei do Senado 336/2017, que proíbe a chamada progressão continuada.

E torna obrigatório para todas as escolas a realização de avaliações de desempenho dos alunos para que eles possam avançar de série.

Em meio a tantos retrocessos, enfim uma boa notícia.

De autoria do senador Wilder Morais (PP-GO), o projeto será examinado pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) onde terá decisão terminativa.

progressão

O que é a progressão continuada

A progressão continuada foi adotada em diversos sistemas de ensino a partir da década de 1990.

Na época parecia uma medida boa, pois prometia respeitar o ritmo de desenvolvimento psicossocial e de aprendizagem dos alunos.

Permitiria que cada um aprendesse no próprio tempo, sem obrigá-los a repetir séries por eventual mal desempenho.

Isso também visava diminuir o número de evasão escolar.

Mas acabou se transformando em promoção automática sem necessidade de avaliação.

O que se tornou a origem de muitos outros problemas da educação no país.

Se para os docentes e discentes a progressão continuada trouxe apenas fracassos (expostos pelas avaliações nacionais e internacionais), para o País como sociedade e como economia as implicações da aprovação automática são ainda mais devastadores.

Uma quantidade absurda de analfabetos funcionais que não conseguem realizar operações básicas.

Como interpretar textos e resolver equações matemáticas.

O caminho de melhorar os índices de aprovação custou a educação e ganho de competências e habilidades de milhões de brasileiros com dificuldades acadêmicas.

O que propõe o projeto de lei

O projeto muda a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB – Lei 9.394/1996).

Propõe mudança no artigo 23, que trata da organização da educação em séries ou grupos não seriados.

“Art. 23. A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais, alternância regular de períodos de estudos, grupos não-seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar, respeitada a promoção em cada série ou ano conforme o aproveitamento do aluno aferido pelo professor responsável.”

Além disso, revogam os §§ 1º e 2º do art. 32 da mesma lei.

Art. 32. O ensino fundamental obrigatório, com duração de 9 (nove) anos, gratuito na escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante:

§ 1º É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensino fundamental em ciclos.

§ 2º Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série podem adotar no ensino fundamental o regime de progressão continuada, sem prejuízo da avaliação do processo de ensino-aprendizagem, observadas as normas do respectivo sistema de ensino.

A Câmara dos Deputados aprovou em agosto um projeto de teor semelhante, o PL 8.200/2014, que ainda não foi remetido ao Senado.

O projeto ainda está aberto a votação e você pode opinar se é a favor ou contra.

Torcemos para que, se aprovada o fim da progressão continuada, traga alguma melhora no ensino básico.

By | 2017-09-21T22:13:43+00:00 21.09.17|0 Comentários

Sobre o Autor:

Graduada em Ciências Biológicas (licenciatura) pelo Centro Universitário Claretiano de Batatais, Mestre em Ciências (ênfase Ensino de Biologia) pela Universidade de São Paulo. Trabalha com biologia geral, com ênfase em estratégicas didáticas e linguagem.

Deixar Um Comentário